A
vida passa em relatos distantes. Dores constantes donde o tempo se esvai.
Sai do meu peito dores de efeito
retardado, ou de ferimentos presentes ou daquilo que imagino ainda ir sofrer.
O tempo nesse aspecto é incerto. É
objeto da imaginação turva e da motricidade que as ondas do pensamento passam a
ditar.
A vida surge no horizonte como uma
prenda para aqueles que a enxergam e a perseguem.
Enquanto muitos apenas olham o entorno
e outros apenas miram o chão na direção de seu próprios pés.
Assim caminho em frente, vivendo a vida
do meu jeito.
Sem a pretensão de estar certo no meu
caminho. Na verdade eu desconfio que peguei muitos falsos atalhos.
Querendo ganhar um tempo que eu de fato
não domino.
Ninguém o domina. Ele é o senhor e nós
apenas buscamos organizar a vida dentro do limite que ele estabelece.
A vida não deve ser dirigida por
objetivos distantes. Digo. Não sabemos se vivos estaremos no momento seguinte.
Então nossas metas precisam ser
pequenas e constantes e nossas conquistas devem ser comemoradas como se fossem
a última.
Por que de fato não sabemos se assim
serão.
Tenho praticado ultimamente, viver cada
momento. Resolver um problema por vez e não me sentir mal ante a minha
incompetência na resolução de alguns nós que eu mesmo fiz.
Sim. Nossos nós... Nossos problemas,
resultam de nossas próprias ações.
Desata-los pode ser tarefa difícil e
talvez alguns deles ficarão além de nossa existência, forçando outrem a se
desafiar na missão de resolvê-los.
A vida passa com uma velocidade
relativa a temporalidade que nos é sentida com maior ou menor intensidade
dependendo dos fatos que esta carrega.
O sofrimento parece ser eterno enquanto
o prazer é fugaz.
De todo modo as marcas de ambos
produzem na nossa mente aquilo que nos vai definir a personalidade.
A dor sempre será mais marcante. Porque
incomoda.
Enquanto o prazer será sempre
insuficiente, nos movendo para frente na busca de mais uma porção que
justifique nossa existência.
E assim se vai vivendo... Assim se
caminha para um momento final e único.
Aquele que é uma incógnita para todo
ser vivente e que o encaminha para um ponto final.
Que na verdade, pode vir a ser início
de algo que não conhecemos.
Uma outra vivência. Um outro patamar.
Uma outra fase ou nível... Quem sabe?
Reflexões em torno da vida – Março 2018

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