domingo, 2 de dezembro de 2018

Viagens



Viagens

Mais uma viagem... e tantas já fiz que as contas perdi.
E o que poderia explicar tantas vezes em missão sem que nunca as tenha buscado?
O por do sol no Pacífico, me remete ao meu lugar, porque o sol é único e sempre será lindo ao entardecer.
Uma beleza que finda um ciclo, mas com a certeza que outro se inicia em breve.
Essa percepção do sol se escondendo é como o amor que se despede antes de dormir para te acordar no dia seguinte com um abraço caloroso.
Caminho pelas ruas próximas a minha base... Não sou de ir muito longe. Me contento com a beleza que me rodeia.
Sempre fui assim. Regrado, mas nem por isso infeliz. Me contento com o pouco que vejo mas vejo com um nível de detalhe tão cirúrgico que consigo perceber um universo em um único metro quadrado.
Aprecio o caminho na caminhada que me proponho a fazer.
As flores, o ocaso, as casas tão bonitas, as ruas tão limpas. A paz...
Penso na minha terra e o seu caos característico e o seu frenético movimento que contrastaria com a realidade que aqui vejo e certamente resultaria em um evento impactante feito água em fogo.
E por que tamanha diferença?
Cultura, origem, história, clima... Ou uma mescla de tudo isso?
Andando aqui, tenho a impressão de que tudo é perfeito. Sei que não é, mas aparenta ser.
Uma organização impecável, uma ordem, uma disciplina que me agrada porque me afasta do caos que tanto me incomoda.
Volto ao hotel, reflexivo. Com saudade do lar e com vontade de dividir com meu povo essa admirável ordem e organização extrema.
Um dia seremos assim?
Poderia eu contribuir para sermos assim?
Seria realmente bom sermos assim?
Tantas perguntas em torno de quinze minutos de caminhada em busca de uma respiração límpida.
Se caminhasse quilômetros e quilômetros sem o foco nos detalhes, talvez não tivesse agora tantas observações em meio a um simples momento de caminhada e reflexão.

Reflexões em torno da vida – Fevereiro 2017



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